Riscos Ambientais - aprenda DEFINITIVAMENTE o que são e o que fazer!

Riscos Ambientais – Identificação e Prevenção

Independente do ramo de atividade laboral, os colaboradores podem estar expostos a uma série de riscos ambientais, ou seja, um conjunto de elementos, substâncias ou materiais que colocam em risco sua saúde e sua integridade física.

Também chamados de agentes ambientais, esses elementos devem ser levados em consideração quanto a sua natureza, intensidade, concentração e tempo de exposição do trabalhador, para que se assegurem as condições ideais para o desenvolvimento das atividades.

Falou em risco? Pense no conjunto intensidade + concentração + tempo de exposição

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Classificação dos Riscos Ambientais

Divididos em classes específicas, os riscos ambientais podem ser físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos (ou de acidentes).

As duas últimas categorias, embora não contempladas pela NR 9, que trata do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, devem ser observadas da mesma maneira, já que o objetivo principal é garantir a segurança de toda a equipe.

A seguir, a descrição detalhada de cada uma das categorias:

  • Riscos Físicos –  São aqueles que se referem às características físicas do ambiente, ligadas a fontes de energia, como por exemplo, vibrações, ruídos excessivos, temperatura extrema, pressão anormal, radiação, tanto nas formas ionizantes quanto não-ionizantes e alterações sonoras, como o ultra som e o infra som.
  • Riscos Químicos – São  os produtos, substâncias ou ainda compostos químicos que estão sujeitos a absorção por parte do organismo, seja através do contato direto, pelas vias respiratórias ou ainda ingeridos, como gases ou vapores, névoas, fumaça ou poeira.
  • Riscos Biológicos – São as diferentes formas de micro-organismos aos quais os colaboradores possam estar expostos, e cujo contato se dá através da pele, da ingestão ou ainda pelas vias respiratórias, como fungos, bactérias, protozoários, vírus ou parasitas.
  • Riscos Ergonômicos – São os riscos de natureza física ou psicológica, causados pela não adequação do ambiente de trabalho às limitações fisiológicas dos indivíduos, como sobrecarga de peso, intenso esforço físico, postura inadequada, jornada excessiva de trabalho, exigência de produtividade desproporcional, trabalho noturno, repetição de movimentos, entre outros fatores que causam estresse físico ou mental.
  • Risco de Acidentes ou Mecânicos – São os agentes de riscos relacionados a máquinas, equipamentos e outros elementos que podem causar dano e a através da incidência de acidentes de trabalho. Dentre eles, ausência de equipamento de proteção, ferramentas com defeito ou inadequadas, risco de explosão ou incêndio, luminosidade inadequada, armazenamento e estocagem inadequados, animais peçonhentos, entre outros fatores que aumentem o risco de acidentes.

A NR 9 desconsidera riscos ergonômicos ou de acidentes, mas o prevencionista deve lidar com eles

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Risco ergonomico levantamento manual de carga

Regulamentação da NR 9 e Aplicações

A Norma Regulamentadora n°9, do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação do Programa de Prevenção de Riscos AmbientaisPPRA por parte de todos os empregadores.

Isso, sempre visando a manutenção e preservação da saúde dos colaboradores, através das etapas de antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais, levando em conta também a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.

Todo e qualquer programa possui uma estrutura essencial: planejamento, execução metodologicamente adequada, registro e divulgação, e por fim avaliação - para então reiniciar o ciclo do programa.

É assim com o PPRA, e é assim com outros programas de prevenção de riscos.

O PPRA deve ser estruturado da seguinte forma:

a) Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma;

b) Estratégia e Metodologia de ação;

c) Forma do registro, manutenção e divulgação dos dados. Lembre-se: no campo de SST, se não há registro e provas, considera-se que nunca ocorreu;

d) Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA.

Todo o conteúdo do PPRA deve ser apresentado e discutido na CIPA da empresa, e uma cópia do documento base deve ser anexada ao livro ata da Comissão, estando assim acessível às autoridades competentes.

O documento base do PPRA deve estar sempre à disposição das autoridades competentes

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Etapas do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais

Segundo a NR 9, todas as etapas poderão ser feitas pelo Serviço Especializado em Engenharia e em Medicina do Trabalho – SESMT, ou por profissional ou equipe de profissionais capacitados, a critério do empregador.

Etapa 1 – Antecipação: Esta fase contempla a análise de projetos de novas instalações, métodos e processos de trabalho ou a modificação dos já existentes, identificando potenciais riscos e estabelecendo medidas para sua eliminação ou redução.

Etapa 2 – Reconhecimento: Nesta etapa, serão aplicados diversos itens para que se tenha a correta identificação dos riscos ambientais, como a identificação dos agentes de risco, a localização e determinação de fontes geradoras, identificação dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho, identificação das funções e do número de trabalhadores expostos, caracterização das atividades e do tipo de exposição, levantamento de indicativos de possível comprometimento da saúde em decorrência do trabalho, identificação dos danos a partir de literatura técnica e a descrição das medidas de controle já existentes.

Etapa 3 – Avaliação Quantitativa: Esta etapa deve ser realizada toda vez que for necessário comprovar o controle da exposição ou a inexistência dos riscos identificados na etapa anterior, para dimensionar a exposição dos trabalhadores ou ainda para equacionar as medidas de controle.

Etapa 4- Medidas de Controle: Nesta fase deverão ser adotadas as medidas efetivas para a eliminação, minimização ou controle dos agentes de risco ambiental, sempre que nas fases anteriores for identificado potencial ou evidente risco à saúde, quando os resultados das avaliações qualitativas excederem os limites previstos na NR-15 ou estabelecidos por acordos coletivos e quando for comprovado, através de exame médico a ligação explícita entre o dano causado e a condição a que o trabalhador foi exposto. Ainda, sempre que for ultrapassado o nível de ação.

Engenheiro de seguranca investigando riscos ambientais

Outros Métodos de Avaliação e Prevenção de Riscos Ambientais

Existem ainda outros métodos para a avaliação, prevenção e solução dos problemas relacionados aos riscos ambientais.

Hazop - Estudo de Perigo e Operabilidade

O Hazop, em inglês, ou Estudo de Perigo e Operabilidade é bastante eficiente, mas exige uma equipe multidisciplinar experiente, especializada em projetos, instrumentação, operações do processo de produção, química, manutenção e segurança.

Entre suas vantagens, estão sua abrangência, flexibilidade e a sistematização na identificação de problemas e perigos operacionais, além do compartilhamento das informações entre todos os envolvidos, o que facilita outro processo de controle, as Avaliações Quantitativas de Risco, AQR.

Destaca-se também que esse método facilita o entendimento da unidade produtora como um todo, em condições normais e ideais, possibilitando uma rápida identificação de eventuais desvios.

Mapa ou Matriz de Riscos

Outro método na prevenção e correção de riscos ambientais é a matriz ou mapa de riscos, onde o resultado das análises são apresentadas em forma de tabela (matriz) ou de gráficos (mapa), objetivando facilitar a compreensão do analista quanto ao grau e a incidência dos riscos ambientais.

A Matriz de Risco pode e deve ser utilizada como ferramenta cotidiana dentro da organização, por conta de sua fácil leitura e identificação, devendo inclusive ser afixada em locais de acesso dos trabalhadores, funcionando assim como um lembrete permanente sobre a existência dos riscos ambientais.

Não limite-se somente às NRs: existem outros métodos para lidar com a prevenção dos riscos ambientais

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Riscos Ergonômicos e de Acidentes

Embora não façam parte da NR9, os riscos ergonômicos e os de acidentes (ou mecânicos) estão entre as grandes preocupações de qualquer gestor ou encarregado.

Isso deve-se ao fato destes riscos serem bastante freqüentes e dependerem de fiscalização intensa e contínua, pois envolvem diretamente o cuidado e a atenção de cada colaborador.

Portanto, é fundamental que você esteja atento a esses riscos ambientais que estão presentes em praticamente todas as atividades.

Riscos ergonômicos:

Responsável por grande parte dos afastamentos ou licenças médicas, afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida do indivíduo. É uma categoria bastante abrangente, já que contempla tanto aspectos físicos quanto psicológicos. Em relação aos físicos, os mais freqüentes são a sobrecarga de esforço, os problemas posturais e as lesões por repetição.

Em todos estes casos a prevenção pode ser feita com a adoção de medidas simples, como o alongamento físico e a preocupação com o correto dimensionamento do trabalho físico de acordo com as características de cada trabalhador.

Quanto aos riscos ergonômicos psicológicos, o mais comum no ambiente de trabalho, é o estresse, que pode ser causado por diversos motivos, e que demanda uma atenção continuada. Alguns sinais são clássicos, como irritabilidade, queda de rendimento na produtividade e o conhecido mau humor.

Esse inimigo invisível pode afetar a todos, independente da função na empresa, e pode também estar relacionado a fatores externos ao trabalho, e ao menor sinal dos sintomas, é importante uma avaliação com profissional específico, para que o problema seja corrigido antes que se agrave.

Risco de Acidentes:

Esse talvez seja o grande calcanhar de Aquiles de qualquer organização. Como evitar, prevenir e minimizar os acidentes de trabalho.

O uso adequado e correto dos EPI´s, programas de treinamento e conscientização, SIPATs e outras ferramentas são essenciais, mas muitas vezes esbarram na resistência ou no descuido dos próprios profissionais envolvidos, e neste caso, a vigilância é a maior arma contra os acidentes.

O ambiente de trabalho também é fundamental e deve ser constantemente monitorado para que se minimizem os riscos, e devem ser tomados cuidados com a iluminação, a ventilação, o tipo de piso adequado, além da implementação correta de projetos contra incêndio e explosões.

As ferramentas, máquinas e materiais também são grandes causadores de acidentes, e da mesma forma devem ser adequadamente armazenados e utilizados, além de sofrer manutenção periódica e substituídos quando for o caso.

Invista em treinamento e capacitação dos seus colaboradores e desenvolva entre eles a responsabilidade mútua e coletiva quanto a prevenção de acidentes.

Certifique-se de incentivá-los a melhorar os processos e a garantir que o ambiente de trabalho seja seguro, limpo e adequado, com a participação de todos e a consequente manutenção da saúde e da qualidade de vida.

Investir em treinamento e capacitação é poupar os custos da ignorância

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