NR 33 - Segurança nos Espaços Confinados

NR 33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados

Espaços Confinados e a NR 33

Todos os anos acontecem centenas de acidentes em espaços confinados – em esgotos, galerias, escavações e outros tantos. Grande parte destes acidentes resulta em morte, eles tendem a acontecer rapidamente e, como a grande maioria dos acidentes, sem qualquer aviso. É disso que trata a NR 33 do Ministério do Trabalho e Emprego…

Mas o que são espaços confinados? Consultando o item 33.1.2 da NR 33 temos a definição: “…qualquer área com ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.”

Trocando em miúdos: difícil de entrar, difícil de sair, com riscos relativos à presença de contaminantes ou concentrações alteradas de oxigênio.

[Tweet “Espaços Confinados: difíceis de entrar e de sair, com pouca ventilação. Muitos riscos…”]

Por que os espaços confinados são tão perigosos?

Os ambientes classificados como “espaço confinado” são perigosos por diversos motivos, mas um dos principais é a notória falta de informação e treinamento. Os trabalhadores que prestam serviços nestes ambientes muitas vezes não sabem o porquê do espaço confinado ser um ambiente tão perigoso – simplesmente desconhecem o risco.

Além disso, ao conviverem diariamente com os riscos que eles já conhecem, os trabalhadores tendem a menosprezá-los – acreditam que as tragédias nunca acontecerão com eles. Isso é extremamente comum nas mais diversas situações – e não está limitado ao trabalho em espaços confinados.

Acontece que, a partir do momento que você menospreza os riscos, tende a não tomar as devidas precauções, deixando de seguir todos os procedimentos de segurança que são necessários. Quando isso acontece, acidentes irão acontecer.

Os espaços confinados podem ter diversos tamanhos e formatos, mas muitos dos riscos presentes são invariavelmente similares. Alguns fatores de risco fazem-se presentes em grande parte destes ambientes, e podem ser então considerados riscos comuns nas atividades realizadas nestes espaços.

[Tweet “A maior parte dos acidentes ocorre com aqueles que menosprezam os riscos e se descuidam”]

Placa Espaco Confinado

Baixa concentração de oxigênio

Normalmente o ar atmosférico contém uma concentração de 21% de oxigênio, gás que é necessário para a manutenção da vida humana. Alguns espaços confinados têm esta concentração de 21% de oxigênio, outros não. Invisível, o oxigênio pode ter sua concentração reduzida nos espaços confinados devido a coisas simples como a formação de ferrugem ou o crescimento de bactérias e lodo.

Outros gases podem ainda adentrar no espaço confinado e ocupar o espaço do oxigênio, efetivamente reduzindo sua concentração no ambiente. Ainda, operações como soldagem também consomem o oxigênio disponível.

  • Se a concentração de oxigênio presente no ambiente for reduzida para 12% a 16%, os trabalhadores apresentarão sintomas como aceleração cardíaca e respiratória, dificuldades de raciocínio – prejudicando sua capacidade de tomar decisões – , e redução na coordenação motora. Por si só, isso já poderia ser considerado um grande risco.
  • Se a concetração de oxigênio no ambiente estiver entre 6% e 10% – ou menos – , os trabalhadores sofrerão de náuseas, vômitos ou a perda da consciência, e posteriormente virão a falecer.

A deficiência de oxigênio é especialmente perigosa, porque pode causar sonolência ou euforia, que impedem que o trabalhador perceba o perigo e faça as decisões corretas a tempo de escapar. Em situações de emergência, o trabalhador – já com dificuldades de raciocínio e de coordenação motora – não é capaz de agir a tempo de salvar sua própria vida.

[Tweet “Perigo em espaço confinado: Pouco oxigênio no ar tem diversos efeitos, e pode levar à morte”]

Monóxido de Carbono, Sulfeto de Hidrogênio e outros gases tóxicos

O monóxido de carbono e o sulfeto de hidrogênio são dois dos gases mais letais que podem estar presentes nos espaços confinados.

Sulfeto de Hidrogênio  – assim como outros gases tóxicos – pode ter diversas fontes, incluindo esgotos, matéria em decomposição, vazamentos ou descartes de químicos, ou como subproduto de processos industriais diversos.

O Monóxido de Carbono é incolor e inodoro, e é produzido através da queima incompleta de qualquer material que contenha carbono em sua composição, como gasolina, madeira, gás natural e propano, e pode ser letal em concentrações muito pequenas, de 1% ou menos.

O sulfeto de hidrogênio é invisível e tem forte odor de ovos podres, mas em concentrações muito altas ele pode simplesmente “destruir” o seu olfato, tornado-se imperceptível. A exposição a concentrações elevadas de sulfeto de hidrogênio pode levar à morte em poucos segundos.

Alguns dos diversos gases, a exemplo do metano, são extremamente inflamáveis. Uma única faísca nestes ambientes é capaz de explodir todo o ambiente, junto de todos os trabalhadores presentes.

Existem inúmeros outros contaminantes que podem estar presentes nos espaços confinados – eles podem ser subprodutos de atividades anteriores nestes espaços, como soldagens ou pinturas, podem ser gerados durante a decomposição de materiais estocados, ou podem simplesmente ter entrado no ambiente e ali permanecido. Mas o que todos eles têm em comum, é a facilidade de atingirem concentrações perigosíssimas (muitas vezes letais) dentro dos espaços confinados, devido à ventilação insuficiente.

Existem tantas fontes possíveis para os diversos gases tóxicos, que é literalmente impossível prever a situação de segurança da atmosfera dos ambientes confinados sem a realização de testes.

[Tweet “São inúmeros os contaminantes que podem estar presentes em um espaço confinado”]

NR 33 Gases Toxicos em Espacos Confinados

Como prevenir acidentes em espaços confinados

O que pode ser feito para evitar que estes acidentes de trabalho ocorram? Na verdade é bastante simples: basta que os procedimentos de segurança sejam definidos corretamente, sejam seguidos sempre à risca, e que todos os trabalhadores recebam o devido treinamento para trabalho em espaços confinados – conforme preconizado pela NR 33.

Podemos citar alguns dos procedimentos padrões que devem ser seguidos para o trabalho em espaços confinados – tenha em mente que os procedimentos serão muito mais detalhados, de acordo com todas as exigências da NR 33 e a realidade de cada espaço confinado:

  • Avalie a atmosfera antes de entrar no espaço confinado. É essencial que as medições sejam realizadas em vários níveis do ambiente – pois diferentes profundidades conterão diferentes concentrações de gases, devido a diferença de densidade de cada um deles – gases mais leves, acumulam-se na área superior, os mais pesados na área inferior, e os que possuem densidade próxima à do ar atmosférico, encontram-se distribuídos em todos os níveis de profundidade. As avaliações devem ser realizadas antes de qualquer trabalhador entrar no espaço confinado;
  • Monitore continuamente a atmosfera onde as atividades estiverem sendo desempenhadas, verificando se as condições de permanência e acesso ao espaço confinado são seguras;
  • Mantenha a segurança da atmosfera no espaço confinado aceitável, realizando a ventilação do ambiente, e monitorando-a com equipamentos adequados e certificados. Mantenha a ventilação, e demais procedimentos que verifiquem-se necessários durante toda a execução dos serviços, garantindo a segurança dos colaboradores;
  • Se for verificada uma Atmosfera IPVS – Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde, o trabalhador só poderá entrar no espaço confinado utilizando respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape, ou máscara autônoma de demanda com pressão positiva. Vale lembrar que se for realizada a inertização da atmosfera (geralmente com Nitrogênio), a atmosfera será IPVS devido à baixa concentração de oxigênio;
  • Nunca use o insuflador como um exaustor, sugando os gases tóxicos para fora. Ao fazê-lo, você pode continuamente puxar outros gases tóxicos de outras regiões do espaço confinado para a área em que serão realizados os serviços. O insuflador precisa injetar ar fresco dentro do ambiente, e a insuflação garantirá a inserção contínua de ar fresco, prevenindo contra o acúmulo de outros gases;
  • Use equipamentos de segurança sempre em perfeito estado de conservação e uso nos trabalhos em espaços confinados, e sempre utilize-os somente para o fim que foram projetados. Isso vale para todos equipamentos, como cintos de segurança, equipamentos de proteção respiratória, equipamentos de comunicação, e outros;
  • Capacite todos os trabalhadores: todos os trabalhadores que estarão envolvidos nas atividades em espaços confinados, seja durante as medições até o fim dos trabalhos, seja realizando as tarefas do Vigia, Supervisor de Entrada, ou simplesmente trabalhador autorizado, precisam ser adequadamente capacitados para tal. As capacitações devem obedecer o constante na NR 33, do item 33.3.5.3 ao item 33.3.5.8.1. Vale lembrar que o treinamento dos Supervisores de Entrada é mais específico e aprofundado, possuindo carga horária mínima de 40 horas;
  • Siga todos os procedimentos: durante a realização dos trabalhos em espaços confinados, certifique-se de seguir todos os procedimentos de segurança presentes na NR 33. A norma não existe para punir empresários, existe para proteger os trabalhadores;
  • Atenção especial ao item 33.3.3.2 da NR 33: complementando a norma regulamentadora 33, os trabalhos nos espaços confinados devem observar o disposto nos atos normativos NBR 14787 – Espaço Confinado – Prevenção de Acidentes, Procedimentos e Medidas de Proteção; e NBR 14606 – Postos de Serviço – Entrada em Espaço Confinado, assim como as suas alterações posteriores;
[Tweet “Procedimentos de segurança em espaços confinados podem salvar sua vida: siga-os à risca”]

Espaços confinados podem ser encontrados em inúmeras operações, mas os riscos nestes ambientes muitas vezes não são facilmente detectáveis – pela própria natureza destes.

Os procedimentos de segurança e a realização de testes são a única forma de proteger a você e seus colegas destes perigos invisíveis. O perigo é real e letal, mas seguindo os procedimentos corretamente é possível evitar que tragédias ocorram.

E você, já participou de atividades ligadas à NR 33 e ao trabalho em espaços confinados? Compartilhe sua opinião e experiências, deixe um comentário!

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